Série OKUP-AÇÃO

Nas ruas de toda grande cidade, o abandono de imóveis contrasta com a grande quantidade de desalojados. Enquanto sem-tetos buscam abrigo pelas ruas, proprietários mantêm suas posses vazias com a esperança de vendê-las no futuro por um preço vantajoso. Geralmente ignorada pelo poder público, a especulação imobiliária não passa desapercebida pelos “squatters”. Nascido na contracultura europeia dos anos 60, este movimento ocupa espaços urbanos ociosos para neles construir verdadeiros centros de resistência cultural. Formado basicamente por anarquistas, punks (okupas), hippies e comunistas, o movimento “squatter” luta mostra uma certa revolta. Esse espaço é construido baseado em princípios de solidariedade e respeito mútuo e é uma forma de resistir ao pensamento capitalista, centrado nas noções de propriedade privada e massificação cultural. Esses centros de resistência cultural se completam quando as liberdades individuais sao expostas e cada um se sente livre para mostrar sua arte. Sua verdade. Sua voz. Sem regras.
Todos os cenários desse trabalho fazem parte dos inúmeros “squats” espalhados por Berlim. Mas especificamente Berlim Oriental, que se tornou o paraíso das ocupações depois da queda do muro e o abandono massivo de prédios e casas.
Essa noção de “propriedade privada” nasceu do egoísmo próprio do ser humano. Isso reflete diariamente na vida da maioria das pessoas em forma de hipocrisia. As pessoas acabam virando propriedades privadas de outras pessoas. Nada é suficiente. E a sociedade recrimina qualquer liberdade individual que fuja dos padrões costumeiros. Esse conceito de massa gera um pudor desnecessário onde as pessoas são julgadas por cada ato, por cada passo. Uma garota que queira dar um passeio pela rua da forma que veio ao mundo é condenada e julgada. Não existe liberdade. A liberdade que conhecemos é fictícia. Isso é errado, aquilo é certo, isso é meu, aquilo é seu. Quando tudo deveria ser NOSSO.

 
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